Introdução à Criptomoeda

Criptomoeda?

Com certeza você já ouviu falar em criptomoedas na grande mídia, principalmente nas últimas semanas (Junho de 2017) e provavelmente foi isso que te trouxe aqui.

Entre as mais conhecidas estão o Bitcoin, Litecoin, Dogecoin e mais recentemente Ethereum e Monero.

Bitcoin e Ethereum tomaram conta da mídia mundial por ter uma valorização de mais 92% e 300%, respectivamente,  em 30 dias (entre 25/04/2017 e 25/05/2017). O Bitcoin passou de US$1275,00 para US$2446,00 e o Ethereum de US$50,00 para US$200,00.

História

A ideia da primeira criptomoeda, o Bitcoin, foi publicada em Outubro de 2008 por Satoshi Nakamoto numa pesquisa chamada A Peer-to-Peer Electronic Cash System (Um Sistema Peer-to-Peer de Dinheiro Eletrônico) e colocada em funcionamento em Janeiro de 2009. De acordo com Nakamoto, o código começou a ser escrito em meados de 2007.

A ideia foi criar um sistema monetário descentralizado e socialmente escalável, ou seja, o sistema não depende e não se limita à instituições financeiras, governos, leis e moedas locais. Qualquer pessoa com um computador e acesso à Internet pode criar um nó na rede e tanto contribuir com o poder computacional da mesma quanto utilizá-la para transacionar.

Como funciona

A peça central das criptomoedas é o blockchain, que é um grande banco de dados replicado em cada nó da rede. O blockchain do Bitcoin é composto por blocos de 1MB contendo cerca de 1500 transações cada e hoje este “banco de dados” já está com mais de 120GB.

Os blocos são encadeados seguindo o padrão da Árvore de Merkle, que será explicado melhor num próximo post, o que permite que os nós comprovem a veracidade da informação neles contida através da validação do bloco anterior e assim sucessivamente (os contadores de plantão podem se lembrar do trabalho de Yuji Ijiri sobre “Contabilidade de Tripla Entrada).

A rede distribuída é composta hoje por cerca de 8000 nós e cada um deles tem a responsabilidade de validar todas as transações que compõe os blocos do blockchain através de cálculos extremamente complexos.
Em outro post vou me aprofundar nos tais cálculos, sua complexidade e consumo de energia. Por enquanto basta saber que somando o consumo de todos os nós, são utilizados mais de 1600MW/h de energia elétrica, ou cerca de R$950.000(novecentos e cinquenta mil reais) por hora.
*a calculadora no site da Eletropaulo só permite o cálculo até 1600kW/h, por isso multipliquei o resultado por 1000

Não Doc, na verdade 1.6 GIGAWATTS!!!!

Por que moedas virtuais valem dinheiro?

Basicamente por que existe a procura de um recurso “finito”, mas não só por isso. Vou enumerar alguns outros motivos brevemente para me aprofundar em outros posts.

  • O processamento tem um custo de energia elétrica e os nós recebem comissões de acordo com a quantidade de trabalho que executam(proof of work). No caso do Bitcoin, mesmo recebendo as comissões, os donos dos nós têm um prejuízo de cerca de U$250 a cada moeda recebida em comissões.
  • Foi criado um mercado em volta da mineração de criptomoedas. Hoje existem muitos profissionais e entusiastas pesquisando e desenvolvendo hardware e software específicos para essa tarefa. Exemplo disso são os ASICs, chips criados especificamente para realizar os cálculos de validação das transações no Bitcoin. Estes chips chegam a ter 765 cores e realizam cerca de 400.000 operações de hash por segundo. Toda essa tecnologia tem um preço, que é atrelado à moeda.
  • Trading. O mundo financeiro percebeu que a moeda não pode ser controlada por grandes corporações e ainda assim tem uma grande oscilação intraday. Isso fez com que os mercados da China e Japão começassem a operar tradings milionários utilizando desde algo-traders até rede neurais programados especificamente para apostar nas oscilações do mercado.

Resumo

Acho que essa pequena introdução cria mais perguntas do que responde e isso é natural durante o processo de aprendizado de uma tecnologia emergente e com pouco conteúdo de qualidade (não só em português).

Nas próximas semanas pretendo destrinchar um pouco mais a questão da segurança envolvida no blockchain e seu funcionamento.

Prometo que vou tentar ser o mais técnico possível mas de uma maneira didática para agradar tanto os entusiastas que não entendem nada de tecnologia quanto os desenvolvedores mais ávidos.

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